Era tão boa a vidinha no campo...







domingo, 6 de junho de 2010

Estórias do Mê Alegrete - A Miséria Está Pior


Há muito que não vos conto como vai a vidinha aqui no mê Alegrete.
Sabem como é, muitos afazeris, corrida prá cá, andanças pra lá e quando damos pela genti já não há tempo para agarrar cas mãos..foi-se todo entre os dedos.
Bem mas hoji nam sei como me arranji mas lá consegui fechar a mão ainda com um grãos do dito dentro dela.
Migalhinhas tantas vezes desaproveitadas…
A vida nam tá fácil por aqui nam senhori, dizem que é girali mas eu cá não sei, acho que cada um sente o que está mais perto, o que se vê com a ponta dos dedos e se consegue cheirar faz-nos bater mais o coração, pro bem e pro mal.
A Ti Miséria nam se queixa, habituada a não ter, mas eu sei que está pior.
Quis ir com ela à vila pra que o médico a escutasse, a visse e receitasse uma mesinha qualquer, sei lá, um chá, umas ervas pra fazer defumadouro, qualquer coisa…eu queria era vê-la menos assim…
Mas disseram-nos que médico só daqui a 6 meses, ela baixou os braços resignada e ficou-se no seu silêncio.
Ora ca porra!!
Griti eu
Então as pessoas assim podem morrer. Seis meses?? Seis meses??
E estando eu a gritar com o telefone, e este aos saltos de uma mão prá outra, ouvi lá do outro lado a resposta:
Pode sempre ir à bruxa.
Quei????
Ai passi-mi!
Desligui aquilo e fiqui a remoer no que ouvira do lado de lá.
A miséria acreditava nessa coisa, ainda bem que ela não ouvira aquilo senão lá teria que a levar à bruxa mesmo.
Ainda me lembro, uma vez que me convenceram a ir a uma, fui contrariada e ainda por cima tive que levar a melhor galinha e dois garrafões de azêti. Quando lá chegui fiquei logo desconfiada (tá beim, já antes estava mas..fiqui mais pronto).
Senti-me na sala de espera, já lá estavam duas senhoras com ares de serem de fora. Não traziam galinhas nem garrafões de azêti, nem sei como pagariam a consulta. Senti-mi no meio das duas e fiqui logo a saber que o mal duma era o mau olhado que tinham deitado ao filho, e por isso ele andava embeiçado por uma rapariga de más familias, a outra era pro mondi que o marido andava com poucas vontades…já era a segunda vez que cá vinham e disseram muito bem da Dona Giraldina, uma amiga, não queria nada pra ela…uma santa, diziam.
Nam me meti na converseta e esperei pela minha vez.
Nam sei se vos disse que eu resolvi aceitar, contrariada, ali ir porque já ia pra mais de duas semanas que as galinhas nam punham ovos, as vacas nam davam leti, o feijão frade estavam a mirrar e os pés de salsa cresciam que nem couves.
Bem, adiantando a conversa, só vos posso dizeri que tive azar. A senhora nam dominava assuntos do campo, ainda me mandou cortar os pés de salsa pela raiz, coisinha que lhe tiri logo do sentido, pediu-me pra lhe levar o galo pra ela ver se seria ele o causador das desvontades das galinhas e disse-me que quanto às vacas não havia nada a fazer, que havia ordens do estrangeiro para baixar a produção do lêti e quem sabe as próprias vacas achassem por bem nem se dar ao trabalho…
Sai dali na mesma como fui, quer dizer..quase na mesma…com menos uma galinha e dois garrafões de azêti.
Desde esse dia nam posso ouvir falar em ir à bruxa…entram-me logo caloris.
Mas tinha que fazer alguma coisinha pra que a miséria melhorasse…
Resolvi então escrever todos os sintomas num papeli e estudar o caso.
Ora bem:
- Febres muito baixas.
- Alergia ao marisco, carne, peixe fresco, fruta tropicais, doces e bebidas que nam sejam água.
- Dores de cabeça logo pela manhã e chegam a durar até à noite.
- Insónias quando quer dormir e nam consegue, também diz que tem insónias quando nam tem sono…resumindo..nam dromi!
- Alucinações, vê fantasmas nas notas de 100 aérios (assusta-se sempre mal aviste uma ao longe)
- Más fígados, teima com o carteiro em como ele ainda nam lhe trouxe a carta da reforma, quando a dita é feita por transferência bancária (nam deixa de ter razão…ele nam lhe a trouxe, hummm vou ter que repensar este sintoma).
- Dores de cabeça todos os dias de pagamento da renda de casa, luz, água, gás e conta na mercearia.
- Comichões quando ouve falar o 1º Ministro na TV
- Fica afónica com frequência, principalmente se vai a manifestações.
- Dores constantes pelo corpo todo, cada vez que vai apanhar azeitonas, cogumelos, espargos ou agriões.
- Vicio do trabalho, mesmo quando estava desempregada ou quando o patrão dizia que não havia nada pra fazer…
- Pouco apetite, nunca tem fome quando põe a mesa pros outros…
- Afrontamentos, quando quer gritar e lhe tapam a boca..
- Analfabetismo voluntário, deixou de saber ler os jornais
- Tensão baixa quando sobem os preços
- Tensão alta quando descem os ordenados (sempre do contra a minha comadri)
- Marcas da vacina contra a raiva (deve ser sintoma de algo..)
- Preferência por médicos de família, mesmo quando nem a tem nem ele está de serviço.
- Má circulação, principalmente quando anda de transportes públicos em pé.
- Muitas fezis.
- Anemia crónica..fica branca quando vê ao preço que está o pão.
- Tendência para ansiedade…suspira muito cada vez que vê quanto dias faltam pró fim do mês...e diz constantemente " ai a minha vida..ai a minha vida"
- Dupla personalidade, fala da miséria como se fosse outra…que não ela.
- Menopausa precoce…deve ser da anemia.
- Fraqueza na franqueza com que fala dos seu males..sempre em voz baixa.
- Dores na falta de dentes.
- Constipações frequentes…devia às correntes de ar lá em casa…tem sempre a porta aberta.
- Vertigens, diz nunca conseguir chegar lá acima.
- Tendência para a queda em todos os buracos do caminho…falta de cálcio dizem..
- Coração grande demais…
- sonhadora crónica.

Bem…acho que assim de repente nam me lembro de mais nada, tirando o ela ficar sempre a manter aquele olhar de esperança e força de vontade…mas isso nam deve ser dos sintomas piores.
Agora vou ter que procurar na intreneti ou na ciclopédias que raio de maleita tem a minha comadri..nem que tenha que pagar com a melhor galinha e 2 garrafões de azêti!!


Foto: Eu, a Ti Miséria, a comadri Saudade e a Ti Aurora ainda quando havia saúde e trabalho no campo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pensamentos..coloridos.


Os muros podem impedir o voo dos Homens...os Homens podem derrubar os muros...os Loucos nunca esquecerão!

terça-feira, 16 de março de 2010

Porque raio choram as pedras? perguntam-me vocês...


Porque choram as pedras?

Contam que encontraram em tempos que já lá vão, assim tipo há bues bues de longe no tempo… duas pedras num pranto.
Ninguém sabia como tal tinha acontecido, uns diziam que eram Ets, outros, mais “sensíveis”, achavam que deviam ser desgostos de amori..enfim, armou-se uma confusão até que apareceu um gajo assim muita feio, mas muita feio, muita feio mesmo, guedelhudo e com uns fones nos zovidos, que batia com as pedras umas nas outras , olhava, abanava a cabeça e jogava-as pelo chão com as ditas em prantos. As pedras eram da calçada e o senhori presidente da junta já tinha amandado pori um mandato de captura, com foto e tudo, na criatura que fora vista a tirar as pedras da calçada... já lá ia pra mais de um mês sem que ninguém voltasse a tapar os buracos, provas do crime, disseram os calceteiros da aldeia.
Ospois o gajo muita feio, muita feio, mas muita feio mesmo, apareceu a gritar como louco Eureka..Eureka
..que tinha descoberto o fogo…e pelo caminho a roda e a modos que ia pro guinness. Mas quando pensava que lhe iam fazer uma festa viu que o largo da aldeia estava todo em alvoroço por mondi as pedras que choravam como Madalenas e vai dai ele perguntou:
Porque choram as pedras?
E mal ele disse tal coisa, as pessoas começaram a atirar pedras umas às outras mas só acertavam na Madalena da padaria que coitada mal podia andar devido às dores, foi ai que apareceu o Jesus que era muito bonzinho e disse: nam façam isso à menina coitadinha.
Isso faz doi doi..vá lá nam façam isso..nam tão a ver que a pobre coitada ta feita num bolo??
E foi ai que Deus, que está sempre Omnipresente e em todo o lado ao mesmo tempo, ouviu aquilo e aproveitou-se da ideia do Jesus..criou os queques a que deu o nome de Madalena e ao mesmo tempo disse…ah, já agora aproveito que tou com as mãos na massa e criou o futebol…e foi ai que o mundo virou mundo e apareceram as mulheres as mães dos árbitros.
Estava o Deus todo feliz da vida a dizer à Eva: vá filha, come a maçã que faz os zolhos bonitos …enquanto o Adão tinha ido ver o Dérbi Benfica Sporting na Tv cabo do Adamastor, apareceu uma cobra que era muito venenosa..mas assim mesmo muito venenosa e disse:
Alto ai que quem dá a maçã à gaja sou eu!
Deus parou embora contrariado e foi dali abrir o mar a o meio só por mostrar que quem mandava era ele.
A cobra lá fez a outra comer a maçã e desde ai os meninos começaram a deixar de vir de França e a Cegonha a fazer ninhos nas Igrejas só pra chatear.
Há quem conte que melhor do que isto só o tal do Magalhães que com as manias das navegações andou a descobrir o B à Bá numa lancheira azul e meio amaricada. Foi ai que alem de fazerem a 4ª classe as pessoas descobriram o sexo (nus sites meio estranhos) e nunca mais ninguém conseguiu por mãos nisto. O Deus ainda tentou dizer assim com voz meiga : ah vocezis nam deviam fazer isso assim depois de comer que dá rabinho de congestão…mas ao falar em rabinho só conseguiu colocar o mundo a ir ao dito uns dos outros..o Jesus olhou pra ele e disse:
pero? Por qué no te callas?
E Deus calou-se!
Agora ainda querem saber porque raio choram as pedras?

sexta-feira, 12 de março de 2010

É UM GOSTO..disse ele.


( o PR e a sua Maria pondem os olicus por mondi o soli)

Nam sei se vos conti ou se vos diga..
Até me parece que vocesis nem vão acreditar mas o Presidente da gente todos veio cá ao mê monti.
Pois..já os tou a veri a perguntari:
Então porqueim?
E como?
E ospois que houvi?
E quei quele disse?
E essas coisinhas todas..bem, sentem-se queu vou contari como tudo se passou:
Agenti já sabia que esta coisa de andarmos a plantar paineis solaris ai plo monti era coisa que dava que pensari a todos e plo mundo fora. Ora beim, ospois da plantação, nozis também arranjámos aquela fabriqueta de embalari as celulas que agarram o raio dos raios do soli pra venderi pra outros montis, e mais uma vez voltámos a dari que fazeri a muitos e muitas criaturas que a modos nam queriam acreditari..e porque não…e porque aquilo nam presta, e porque nam devia seri bem assim, e porqueim nozes? Enfim..disseram de tudo como os doidos, a modos que o mê compadri Zei teve que explicar, assim a modos com desenho, a coisa muito bem explicadinha.
Aquilo deu uma trabalheira enorme e levou o sê tempo, ora nam ei dum pé pra mão que se plantam e fazem crescer estas coisas..ainda por cima são grandes e mexem-se como genti atras do soli..
Beim, dizia eu que o me compadri Zei explicou mas parece que falou estrangeiro..os gajos lá de fora entenderam melhori que os gajos cá de dentro..enfim a galinha da vizinha continua a ser sempre maior cá nossa e aqui no monti os compadris e as comadris quando lhe dão um ovo pensam logo que bom bom era se lhe dessem a galinha, nam comem o que têm no prato a olhar pra barriga dos outros..
Voltando ao mê compadri Zei, o homi foi nomeado lá plos Amaricanos pela boa acção feita cá neste fim do mundo…ajuntararm-se todos à volta deli, os crentes, os simpatizantes, os descrentes,os desimpatizantes, os sócios e nam sócios..e aquilo ali naqueles 2 segundos até parecia uma familia feliz…mas foi como a ultima ceia..bebeu-se o vinho e o pão e atei se pintou o habitual quadro..mas ospois cada uns foi prós seus quintais e atéi houve quem dissesse que já mali conseguiam ver por mondi tanto soli…e que afinali aquilo nam dava assim tanto trabalho…e coiso e tal.
Ora antão o tempo lá foi passando, os dias correndo, e o mê compadri Zei sempre na labuta de soli a soli (a bom da verdade ele nam trabalhou sozinho..houve outros compadris e comadris que tambeim deram uma mãozinha, alguns uns peis, sonhos, vontades e crenças. o trabalho foi muito e grandi atei que um dia quando foram ao Rosali, alembraram-se de veri se os Emilios nam quereriam fazer negócio..mas nam vou contar essa parte que ospois lembro-me dos caramelos e fico cus nervos...) Bem,a modos que fez crescer ali pros lados da fabriqueta uma coisinha com muita lógica, dizem que aquilo é do melhor que há no mundo e arredores, dizem atéi (quem viu e entende da materia) que é coisinha com fituro, eu cá nam sei mas que dá gosto veri as pessoas que sabem falari daquilo dá..
E foi por mondi esta nova colheita que o Exmº nosso Presidente da pátria mais a sua Maria vieram veri com os próprios zolhos o que afinal andam a fazeri(agora apetecia-me dizer: em terras de salúquia..mas nam digo)
Viu, reviu, ouviu, perguntou e no fim disse que estava muito contenti, e muito feliz e muito alegri, por ter cá vindo veri a genti, que a Maria dele tambéim estava a modos que contenti e feliz e alegri,e que era um gosto muta grande veri com os proprios zolhos o que aqui se fazia com o soli e principalmente o que os estrangeiros vieram a ajudari a genti pra fazeri com o resto das estrelas..
Agora já se podia dizeri que nam andavamos só com o sol na algibeita mas “quiça” (ai ele falava tam beim!) se continuarmos assim poderemos chegari a teri os bolsos cheios de estrelas pra dari e venderi.
Eu a modos que fiqui cumovida…ainda me tenti sentari antes que me dessem os almareios mas nam consegui parari...era muita cumoção pra uma cadeira.
Aquilo eram a mánicas do soli, eram as mánicas dos outros astros todos (ouvi dizeri que ate se consegue ver as Ursulass com aquilo…mas disso ainda fiqui com duvidas, só cá tinhamos uma e nam foi lá, por isso acho que ninguem a viu) eram mánicas das Televisões, dos retratos, autifalantes para se falari mais alto, autifalantes pra nam se falari..enfim..um mundo cheio de novas alfaias e pessoas que parece que sabem mexer nas ditas.
A Ti Miséria foi comigo e dizia que nam entendia nada daquilo mas que lhe parecia beim…e se ospois eu a deixava veri à noite no Meo o filme, pra veri se entendia melhori. Já lhe disse que o que é Meo é dela mas ela faz sempre cerimóina…
Estavamos todas contentes, afinali o nosso Alegrete já nam era assim tam longe das Rotas das pessoas importantes e mais dia menos dia ainda vamos aparecer no mapa astrali de mais alguem…
Constou que a Mari cigana ficou desconfiada por mondi lhe irem tirar o ganha pão…temia ficar sem mãos pra leri ..mas ospois como foi ao almocinho com a genti aquilo passo-lhe (agora podia contari o que foi almoço e como é bonito de veri as pessoas importantes nestes momentos..mas nam conto).
Houve uma altura que me assuti, assim dum de repente o senhori presidente alevantou-se, com as sua Maria atrás e atrás dela uma catrefada de gente..ele era o governadori, os desgovernadores, os guardas costas, os guardas frentes, os Drs de fora, os Drs de dentro, atéi o compadri zei seguia em fila atrás do homi..e foram todos direitnhos à casa das necessidades ou das fezis (nam sei bem o que lhe chamari pois eu estava mesmo aflitinha)..esbugalhi os zolhos e ainda alevanti os braços..mas afinal antes que me pudesse dar uma coisinha, eles sairam todos pla outra porta acenando à gente e a dizeri "deixem-se estar"...e antes que nozes pudessemos perguntari se podiamos tambeim brincar..plofff o homi foi-se..
ufff..
Foi um dia cheio de soli e de muitas alegrias…agora deixem trabalhar o mê compadri Zei que eu cá pra mim ainda o vou veri a expandiri o negocio ali pros lado da estrela, quem nasci com ela num certo sitio, mesmo que queiram, nam o conseguem parari…desconfio atei que é desta que o homi vai à lua.
Pronto, espero que nam vos tenha moido muito e que tenha sido clara, mas caso nam leiam os jornais, nam oiçam a plantici nem vejam os Telerurais, podem sempre dar uma vistinha de zolhos aqui noutros compadris que tambeim lá foram, têm estudos e explicam tudo a modos que muita bem explicadinho…Drs! já a minha avó dizia: "o saberi é uma coisinha muito bonita"...e ei!(isto disse eu)

Aqui:
http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/

e aqui
um cadinho mais doce...

http://acucaramarelo.blogspot.com/

Deixe-me só terminari dizendo o quanto gosti deste dia..soube beim porra! (ai lembri-me da barragi…ok nam conto..fica pra despois)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Estórias do mê Alegrete...não deixes para amanhã...


Vocezis nem vão acreditar nos que vos tenho pra contari, nem eu sei se acredite ainda…
Mas foi assim, onti à nôti nam drumi..nadica memo!!!
Nam sei se era aquela coisa moderna das insónias ou a falta de sono que se apoderou de mim..mas logo logo pinsi que só podia ser uma das duas.
Deiti-mi como faço sempre, ospois de me lavar e apagar o candeeiro como nam podia deixar de seri..éi queu cá nam consigo mesmo drumir com as luzes nos zolhos.
Bem, deiti-mi, tapi-me, aconchegui-me nos lançois e fechi os zolhos….esperi..esperi mas nada. Fechi os zolhos com mais força ainda mas..nada de nada.
Reviri-mi na cama e prócuri outra posição, as cruzes por vezes començam a moer-mi…mas nada!
Foi então que no meio daquela escuridão toda comeci a ouviri um tic tic tic tic no quarto..acendi a luz do candeeiro e dei logo com a origem do tal barulho…atão não querem lá veri que os mês chinelos de quarto andam numa andança que só visto de um lado pro outro?
Nam quis acreditar, esfregui os zolhos e volti a olhar melhor…mas lá estavam os malandro na mesma, andavam sem parari plo quarto fora..alevanti-me e tenti pegar no robi pra nam ter frio enquanto ia apanhar os malandros mas eis senão quando o magano do robi nam veim….de braços cruzados sentado no cadeirão do quarto..ficou-se-me ali assim a desafiar-me.
Fiquei incognita..ou incregnita…ou incrodola ou lá o que ei..mas nam me adiantou de nada..ele nam se mexia e os chinelos nam paravam..
Olhi pro candeeiro que começou a acederei e apagari mesmo ali à frente dos mês zolhos….o livro que andava pra leri há séculos, que estava tam lindo e sempre sossegadinho encima da mesa, começou a abrir e a fechar..o penico que tinha debaixo da cama, pro mondi as fezis que me chegam assim de repelão, começou a saltari como doido…parecia que o mundo todo tinha enlouquecido e só eu estava a ver o fim do dito.
Fugi do quarto a sete peis, sem antes fechar atrás de mim a porta com a chave que estava sempre no lado de fora da dita…nam fosse o caso de eles virem atrás de mim. Entrei na casa de banho a suar por todos os lados…já com afrontamentos e tonturias…agarri-mi ao lavatório e de cabeça baixa para me virem os ares ouvi….pssiuuuuuuuu…psssttttttttt…psssiuttttttttt ou assim..olhi e no espelho estava uma louca, só podia, cabelos no ari e os zolhos esbugalhados e fazia aqueles sons estanhos enquanto piscava um dos zolhos pra mim..
Socorrooooooooooooooooooooooooooo, griti eu.
Fugi novamente dali e fui correndo até ao monti do Ti Chico, apanhi-o ainda a drumiri mas na quis saberi…abani-o, sacudi-o. Bati-lhe na cara cas duas mãos e no fim jogui-lhi com o copo de agua com a dentadura que ele tinha sempre ali a jêto.
Lá consegui…ufff
Sentou-se na cama a olhar pra mim assim com ari de poucos amigos (cada um tem o seu acordari nei?)..
Ai Ti chico vocei tem que me ajudari, disse-lhe assim com o mê ari mais aflitinho que aranji no momento.
Agora comadri? Disse ele..
Agora compadri. Disse eu..
Agora comadri?? Disse ele novamente sem se mexer da cama.
Agora compadriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Disse eu já a puxar o dito debaixo dos lençois…assim com bons modos pra nam aleijar.
Pronto nam se zangue, vamos lá a saber o que é que se passa..hoji. Disse ele.
Tenho a consciência à solta pla casa compadri.
E nam me larga enquanto eu nam fizer o que tenho que fazeri..
Ele já vestindo as ceroulas, a camisola interior, calçando dois pares de meias, as botas caneleiras, vestindo uma blusa de lã e a samarra disse:
- Vamos lá tratar da horta melher, é sempre assim, se sabe como ei porque raio nam faz as coisas quando têm que ser fêtas??
Mulheres!!
Ainda levanti o dedo pra lhe responderi mas pinsi melhori e resolvi deixar a resposta para depois do servicinho fêto…
Assim foi, os dois juntos apanhamos o grão, colhemos batatas, couves, feijão verdi, vimos se havia ervas daninhas no canteiro da hortelã…colhemos laranjas, maçãs e peras, alguns kiwis (ainda estou pa saber como raio estes foram lá parar..) seguimos pro galinheiros e depenamos dez galinhas e um galo, matamos o porco, demos de comer aos coelhos e ordenhamos vinte e duas vacas. Corremos ainda a tempo pro olivali e varejámos cento e duas oliveiras, apanhámos as zêtonas e ensacamos, carregámos o carro das bestas…e antes que o galo cantasse fugimos até ao estábulo para dar a palha ao burro…foi nessa altura que se jogámos pro monte de palha e o Ti Chico ainda com força pra rir e mangar comigo disse:
Comadri..ê cá já nam tenho a força de antes, se nam se importa agora dromi sozinha…e dizendo isto foi-se!
O galo cantou à hora certa, cheguei a casa e estava tudo no lugar de sempre…
Deiti-mi e quando estava já quase quase a drumiri ouvi um som estranho vindo do guarda fato….pegui na bota e atiri-lha.
Até prá consciência há limites!
Amanhã logo agradeço ao Ti Chico

Estórias do mê Alegrete...3 dias é muito tempo!


Atão vocezis já devem saber que neste dias parece que é carnavali nei?
Pois, com isto das netis as noticias espalham-se pior que o pólen dos meus malmequeres do campo…depois queixam-se das alergias e assim..
Bem, mas o que vos queria contári é que apanhi um susto tam grandi, mas tam grandi que nem sei como nam fiqui estatelada naquele dia..
Ora foi assim que tudo se passou:
Estava um lindo dia de chuva e quando acordi nam me apeteceu alevantari logo, fiqui-me assim como a fazer nenhum, estendidinha a olhar pró tecto….foi ai também que pensi que tinha que limpar o candeeiro e o telhado, mas passou-me logo esse pinsamento.
Beim, fiqui-mi mas nam pode seri por muito tempo…ouvi logo de seguida um barulho vindo do alpendri assim a modos que um cacarejar diferente…
Hummm pinsi eu, querem lá veri que é as galinhas por mondi a chuva que virem abrigar-se no mê alpendri??
Mas não…mal tive tempo de apanhar o robi e calçar os chinelos de quartos…sim, os tais lindooooos que compri na feira de Castro.
Sai prá rua e dei de caras com duas maçãs rainetas ( ou seriam Rei' nam..eram gajas só podiam ser Rai..) a barafustari e gesticular como doidas..
Tentei acalmar os ânimos mas a sorte foi que o feijão frade já se tinha metido entre as duas (só não entendo porque raio nam fazia nada e ficava apenas a levar encontrões duma e doutra e com uma cara cada vez mais pateta..enfim..)
Depois de conseguir segurar uma pelo pei, a coisa acalmou e eu lá pudi falari..
- ora então que raio vem a ser este escabechi logo pla manhãe? Hum??
Disse eu fazendo uma cara daquelas….pois!
Foi então que a mais verde das duas se resolveu a contari o que passava..tinha sido o Ti Chico que logo de madrugada passou pelo pomari e olhando pras elas disse:
Ainda não estão boas nam senhori! E abalou a apanhar laranjas..
E desde ai que começou esta confusão, uma diz que a outra éi que éi verdi, a outra diz quei a outra..a modos que se pegaram.
Ora ora ora…disse eu sem saberi mais que dizeri..
Depois fez-me luz…era o raio do sol a se levantari…
Franzi-me os zolhos e sem dar conta fiqui com cara ainda de mais zangada e olhando pras duas maçãs resolvi dizeri:
Ide..ide mais é trabalhari…
E elas foram..
Com a toalha ao ombro, oculos de soli e com um pote de creme de cinoira nas mãos.
Pinsando eu que a coisa estava mais calma mas qual nam foi o mê espanto quando vi viri ao longe um grande ajuntamento de nabos a cantari..mãma eu quero…mãmã eu quero…com duas cinouras a bater em tampas de tacho, um pupino disfarçado de couve flor, duas alfaces em bikini, uma couve de Bruxelas vestida de baiana e um tomate disfarçado de ketechupi.
Pari e nem me mexi..deixi-os passari como se nem os visse…
Ospois mal eles já iam direito ao monti do Ti Chico…corri com toda a força que tinha e só pari no adro da igreja..
Ajoilhi-me mali vi a cruz e fechi os zolhos com toda a força que tinha..
Rezi, rezi, rezi..quer-se dizeri..canti a musica da reza mas sempre mãos postas po senhori…
E já era quase noti quando me quis alevantari e nam consegui…
Eu bem sabia que nam me devia ajoelhari assim tanto tempo..mas a aflição era tanta que esqueci as doris.
Passou um pêro daqueles das feiras, olho-mi desconfiado…eu estendi a mão e com tanta dori só me saiam uns sons pla boca…
O magano mete-me uma moeda de 1 aerio na mão e disse..
Melhor que isto só o Ti Chico vestido de matrafona..
E abalou a rir rua fora…
Nesse momento saiu a Ti Miséria da igreja, trazia uma roupa de freira e comia qualquer coisa cas mãos, ria a bom rir..olho-me e disse:
Cumadri devia ser mais que três…isto assim ei que ei uma alegria.
Hummmm, pinsi eu ainda de joelhos no chão e toda torcida cas dores…e atrás da Ti miséria vinha o senhori Priori a mexer-se muito, esfregava as mãos e com um sorriso maroto na cara, olhou a miséria e disse…vamos lá cumadri, hoje carnivali (ele tinha um problema na fala mas hoje parecia piori)..e de braço dado desapareceram-me das vistas.
Nam me aguenti com o que pinsi..nam podia seri!! Nam queria acreditari!!
“deviam ser mais que três? Hoje carnivali?”
Senti-me e só me mexi dali quando o Ti Chico passou..e vi que levava a minha combinação, os colotis e o espartilho que eu deixara no estendal no dia anterior…
Isto de ser a única a andari normali nestes dias não é muito bom nam senhori…mas nam me consigo juntar a grupos quei que querem!!!
É por estas e por outras que a época que mais gosto é o Natali…plo menos sempre se vestem de virgens e de santos.
A sorte é que são só três dias…
Deiti-mi e esperi que passasse…
Ospois conto como foi o mê acordari ao fim do sétimo dia…
Hum?
Tão, uma pessoa nam podi andar cansada??

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Não vou falar do Natal...juro!!

Nem das prendas com laçarotes a empolgar as oferendas, nem sempre grandes na vontade mas enormes no querer retribuir para não ser diferente.

Nem dos cânticos que ecoam pelos cantos e recantos a lembrar angelicais criaturas, nuas e em poses sagradas.

Não vou falar dos tradicionais presépios que se fazem e refazem em mil e uma matéria, ricos, pobres, simples ou mais compostos, com iluminações que se conseguem ver de Plutão, gastando o que se diz necessitar poupar, enfeitando becos e ruas por calcetar. Nem de missas de galos, com galinhas e perus com pecados, ou bocados, de caril a escorrer pelas carnes fracas.

Não irei perder o tempo a falar do estado laico que vê os seus governantes a beijar o pé ao menino e a mão ao papa.

Não me cansarei a discutir a escola, onde supostamente entram todos os filhos dos outros, com crenças várias ou sem crença alguma, com educadores ( a impingir aos meninos a moral de outros e onde lhes pedem para desenhar santinhos, cantar ao menino e á virgem Maria (ensinarão o que é uma virgem)

Não me chamem para falar das mesas fartas e ver sacos com batatas para doar aos Bancos…

Não me perguntem se já fiz as compras de Natal…ou a árvore ou as filhoses. Compro tudo no carnaval, serve para todo o ano.

Não me chateiem com mensagens de ocasião, copy paste de boa vontade mas de pouca imaginação.

Não quero saber das montras enfeitadas de brinquedos a ofender a miséria dos meninos. Não me digam que é tradição, a falta de sentido e a pouca vergonha.

Não me mostrem ceias nas casas de abrigo ou Natal nos hospitais…prefiro o Big Brother ao vivo ou A Vida Animal.

Não quero ouvir missas, nem gosto de circo.

Não me chamem para festas de grandes empresas, com empregados à espera de trabalho…mas fartas as suas mesas.

Não me mandem postais de boas festas, mandem-me festas sem postais.

E o bolo rei? Porque não me dão antes pasteis de nata? Gosto de cremes e massa estaladiça, não quero favas nem frutas pouco naturais.

Nem pedir ao” meu menino” que escreva ao pai natal…vai escrever ao 1º Ministro …é quase igual.


Não, não vou cair na asneira de falar dessa coisa feia a que chamam Natal